Artista plástica norte-americana conhece o trabalho da Coostafe

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A parceria com o Instituto Humanitas360, por meio da assinatura de um Termo de Cooperação Técnica com a Susipe permitirá a captação de recursos financeiros, além de atrair novos parceiros para a realização de trabalhos desenvolvidos pela Coostafe.

A artista plástica norte-americana Liza Lou e a presidente do Instituto Humanitas360, Patrícia Marino, visitaram o Centro de Reeducação Feminino (CRF), em Ananindeua (Região Metropolitana de Belém), nesta quinta-feira (23), para conhecer o trabalho desenvolvido por detentas da Coostafe (Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora), a primeira cooperativa formada exclusivamente por mulheres presas no Brasil. Em quase quatro anos de existência, suas atividades já atenderam mais de 200 internas no Estado.

Liza Lou e Patrícia Marino querem mais informações sobre o trabalho de reintegração social desenvolvido com as mulheres no CRF. A parceria com o Instituto Humanitas360, por meio da assinatura de um Termo de Cooperação Técnica com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) permitirá a captação de recursos financeiros, além de atrair novos parceiros para a realização de projetos e trabalhos desenvolvidos pela Coostafe.

"Estamos conhecendo as peculiaridades e especialidades do trabalho que é desenvolvido dentro desse presídio feminino no Pará. Nosso trabalho é articular o encontro entre as partes envolvidas, e quem tenha interesse em participar e se engajar em projetos que visam à melhoria de pessoas em situação de risco. Trouxemos para o Pará a artista plástica norte-americana Liza Lou, que tinha interesse em trabalhar com as detentas. Então, viemos em busca dessas presas, pois já conhecíamos o trabalho desenvolvido dentro da cooperativa", contou Patrícia Marino.

Durante a visita, a artista plástica conheceu o trabalho das internas e os produtos confeccionados na cooperativa. Liza Lou, que nos últimos anos desenvolve uma linha de trabalho baseada em conceitos de confinamento e proteção, pretende com eessa parceria aprender mais sobre as mulheres que fazem parte da Coostafe e, juntas, pensarem em como fazer arte dentro da prisão.

Habilidades - "Estou aqui com o coração aberto para escutar, aprender  e me aprofundar em tudo o que estou podendo perceber e conhecer deste lugar e destas mulheres. Quero aprender sobre elas e com elas. Perceber quais são as suas necessidades o que gostam de fazer, e assim podermos, juntas, encontrar um meio de trazer beleza e arte para dentro deste cenário, além de desenvolver, cada vez mais, as habilidades que eu já noto que existem aqui", disse a norte-americana.

Para a diretora do CRF, Carmen Botelho, essa é a oportunidade de a Coostafe apresentar para o mundo o trabalho desenvolvido na cooperativa, além de estimular a geração de emprego e renda para as mulheres recomeçarem a vida após o cumprimento da pena.

"Precisamos mobilizar a sociedade para uma mudança de pensamento, ao ver que as pessoas que estão aqui são capazes de produzir algo belo, e que através do trabalho são capazes de mudar a sua perspectiva de vida, mudar a sua conduta social. Essas mulheres precisam ser sentir úteis, pois acreditamos que uma nova chance seja uma nova oportunidade de vida", afirmou a diretora.

Novo horizonte - A interna Maria Domingas, que trabalha na cooperativa, está animada em fazer parte desse projeto, pois nunca imaginou criar obras de arte, e nem mesmo ter contato com uma artista plástica internacional. "Vejo que as coisas, cada dia mais, estão mudando aqui dentro. Poder aprender com uma pessoa que vem de outro país nos possibilita uma alegria muito grande. Com mais este conhecimento eu vou poder trabalhar melhor, e dar continuidade ao que eu faço aqui quando voltar para a minha vida lá fora", ressaltou.

Para a diretora do Instituto Humanitas360, a parceria deve resultar em um projeto de valorização e responsabilidade social. "Nosso Instituto fica muito satisfeito em participar e promover iniciativas e ideias que visam valorizar e abrir caminhos de oportunidades para cidadãos que se encontram em um nicho esquecido da sociedade. Nossa proposta é articular com o poder público, a sociedade civil e a iniciativa privada e, juntos, assumir uma corresponsabilidade cívica com essas pessoas. Elas não deixaram de ser cidadãs, apenas estão privadas de sua liberdade", frisou Patrícia Marino.

Por Walena Lopes | Foto: Cláudio Santos (Agência Pará)
Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará