Dia das mães - Visitas fortalecem vínculo familiar e ajudam na ressocialização de detentos | Superintendência do Sistema Penintenciário do Estado do Pará

Dia das mães - Visitas fortalecem vínculo familiar e ajudam na ressocialização de detentos

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Antonieta Santiago é uma das mães que vêm de longe. Ela enfrenta 19 horas de viagem, uma vez ao mês, para visitar o filho, preso há um ano e meio em uma unidade prisional de Marituba. Para o filho, a visita é um momento de amparo e proteção.

Há dois anos, Alcione do Socorro visita o filho, que cumpre pena no Presídio Estadual Metropolitano II (PEM II), no Complexo Penitenciário de Marituba (Região Metropolitana de Belém). Todos os sábados, ela sai do município vizinho de Benevides, e aguarda por até três horas um ônibus passar para levá-la à penitenciária.

“Acordo as 4 h da manhã e começo a me preparar. É muito difícil chegar aqui, apesar de tão perto, mas quase nunca tem ônibus, e como moro em uma comunidade distante da parada tenho que ir andando um bom pedaço. Leva quase três horas pra chegar, e isso quando conto com a sorte de um motorista parar. Pra idoso, sabe como é. Mas, como domingo é Dia das Mães, eu não podia deixar de visitar meu filho”, disse Alcione do Socorro.

Toda semana ela leva ao filho mais que objetos pessoais e comidas da sua preferência. Com ela chegam, também, conforto e tranquilidade, o que diminui a distância entre eles. “Tenho muito prazer em separar tudo o que ele precisa. Faço as comidas que ele gosta, separo com cuidado suas roupas e objetos pessoais. Esse momento é importante pra mim, pois sinto que dessa forma eu faço algo pelo meu filho, e isso traz conforto para o meu coração”, declarou.

Para o filho, a visita é um momento de amparo e proteção dentro da casa penal. “É uma felicidade muito grande ter a minha mãe aqui, perto de mim. Fico aguardando os sábados, que é quando eu posso ver e conversar um pouco com ela. Nesse final de semana é mais especial. É o Dia das Mães. Como eu não vou poder estar ao lado dela, ela veio passar um tempo aqui comigo”, contou o preso Adailson do Socorro.

Na avaliação da psicóloga Lilia Valdez, da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), o vínculo familiar é um dos pontos mais importantes no processo de ressocialização do preso. “Esse vínculo entre a mãe e os filhos que estão presos é de extrema importância. Sempre enfatizamos a necessidade delas no processo de reintegração desses filhos, e no quanto a afetividade é necessária nesse momento. Observamos o empenho dessas mães que, semanalmente, vão às penitenciárias, sendo que muitas delas vêm de interiores distantes ao menos uma vez ao mês. Muitas dessas mães já são idosas, e mesmo assim cumprem com seu papel. Não importa o crime que os filhos possam ter cometido. Esse apoio é sempre incondicional”, garantiu a psicóloga.

Viagem longa - Antonieta Santiago é uma das mães que vêm de longe. Ela enfrenta 19 horas de viagem, uma vez ao mês, para visitar o filho, preso há um ano e meio em uma unidade prisional de Marituba. “Saio do interior de Altamira para Tomé-Açu, e pego um ônibus para chegar a Belém. Venho uma vez no mês trazer o remédio controlado que ele precisa tomar, e também para vê-lo, pois sinto muita falta dele. Minha casa está incompleta”, disse Antonieta, mãe do detento Wesley da Silva, 22 anos.

Para ela, apesar de especial, esse momento é sempre muito dolorido, pois nunca imaginou visitar um filho na cadeia. “É tão doído vir até aqui e ver ele nessa situação. Meu coração vive sempre apertado. Mas como mãe é importante que eu esteja ao lado dele. Faço sempre o possível para estar aqui, mesmo com as dificuldades de locomoção e financeira”, contou.

Wesley da Silva sempre aguarda o dia da visita com muita ansiedade, pois rever a mãe é um dos momentos mais aguardados. “É uma coisa muita boa ver a mãe da gente, pois nem todo o mês ela pode estar aqui, e pra gente uma semana sem visita é muita coisa. Mas quando eu a vejo fico mais tranquilo, e sinto uma paz no coração”, afirmou.

Núcleo de afetividade - Assim como Alcione e Antonieta, outras mães visitam semanalmente seus filhos nas 46 unidades penais do Estado. Somente no Presídio Estadual Metropolitano II (PEMII) a média de visitas, por final de semana, é superior a 200. Esse é um direito garantido pela Lei de Execuções Penais a todos os presos do sistema penitenciário e auxilia no processo de ressocialização.

“A visita é um dos fatores que amenizam o clima prisional, pois é o contato que o preso tem com o mundo de fora, sobretudo com o núcleo de afetividade dele. Quando falamos especialmente das mães é ainda mais importante esse contato e proximidade. A figura materna, muitas vezes, auxilia no processo de superação e busca por uma vida melhor, fora do crime. Sem falar no conforto e amparo que alguns sentem com a presença delas dentro do presídio”, destacou a coordenadora de Assistência Social da Susipe, Régia Rodrigues.

Serviço: O atendimento para cadastramento de visitantes é feito na Rua dos Tamoios, 1.592, no Bairro de Batista Campos, entre as travessas dos Apinagés e Padre Eutíquio. O funcionamento é de segunda a quinta-feira, das 8 às 13 h, para efetivar cadastro, e às sextas-feiras para entrega de carteirinhas, das 8 às 15 h. As visitas ocorrem todas as quintas e sextas para crianças, e no sábado e domingo para demais familiares.

Por Walena Lopes | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe).