Susipe e Senar promovem curso de arranjos florais em Castanhal

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Cerca de 40 arranjos foram produzidos durante o curso, que teve 40 horas de aulas, ministradas de segunda a sexta-feira, nos turnos da manhã e tarde. As flores e arranjos confeccionados serão entregues aos familiares dos internos.

Uma turma formada por 22 internos do Centro de Recuperação Regional de Castanhal (CRRCA) finalizou nesta sexta-feira (29) um curso de arranjo de flores artificiais, oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe).

O curso faz parte do trabalho desenvolvido pelo setor de reinserção social, que tem como objetivo investir na qualificação profissional e geração de renda, beneficiando internos da unidade prisional. Os detentos aprenderam a confeccionar arranjos de flores utilizando materiais como EVA, tecido tipo voil, tinta spray, tinta para EVA, pincel, tiner, betume, cipó (para osn caules) e gesso para a sustentação dos arranjos nos vasos, além de muita criatividade.

A professora de Artesanato do Senar, Arlene Batista, ministrou o curso pela terceira vez em uma unidade da Susipe, e já esta acostumada a ensinar aos alunos a arte dos arranjos, desde os cortes dos tecidos até a pintura e criação das flores. A professora aprovou o resultado do trabalho e a dedicação dos detentos. “De todos os presídios onde já dei aula esta é a melhor turma que tive. Eles são muito dedicados, habilidosos e criativos”, afirmou.

Para ela, este tipo de trabalho desenvolve a capacidade de concentração dos internos e ajuda como terapia ocupacional, de forma saudável e criativa. “Com o artesanato eles podem expor seus sentimentos. É uma forma de terapia. Já trabalhando há muitos anos com artesanato, eu acabei aprendendo a perceber o que cada um está sentindo através das peças fabricadas. Essa é uma forma que estes homens encontram para falar dos seus sentimentos e exporem o que estão sentindo. Eles aproveitam esse momento de criação para extravasar”, explicou a professora.

Perspectiva - O interno Antônio Rodrigues, 34 anos, foi um dos mais dedicados e perfeccionistas da turma. Ele contou que antes não tinha experiência com artesanato, mas hoje gosta muito das aulas, nas quais vê a possibilidade de tirar o sustento da família. “Meu primeiro contato com artesanato foi aqui, dentro da casa penal. Lá fora a gente não liga muito pra esse tipo de coisa. No entanto, aqui aprendi que, de um simples trabalho como esse, é possível ter uma forma honesta de ganhar dinheiro”, ressaltou.

Já o interno José Cláudio Oliveira, 42 anos, pretende adotar o artesanato como ofício quando estiver em liberdade, e ainda ensinar o que aprendeu para a esposa e a filha. “Quando cheguei para o curso não imaginava que iria me surpreender com o que aprendi. Cheguei achando que fazer florzinha era coisa para mulheres, mas aos poucos fui interagindo e vi na oportunidade uma forma de ganhar dinheiro. Tudo o que estou aprendendo pretendo levar lá para fora, e ensinar minha mulher e minha filha”, disse José Cláudio Oliveira.

Cerca de 40 arranjos foram produzidos durante o curso, que teve 40 horas de aulas, ministradas de segunda a sexta-feira, nos turnos da manhã e tarde. As flores e arranjos confeccionados serão entregues aos familiares dos internos.

Profissionalizante - A Diretoria de Reinserção Social da Susipe investe na educação formal e profissionalizante dos internos custodiados pelo Estado. Atualmente, 2.380 presos estão inseridos em alguma atividade educacional.

“A educação é um do viés que buscamos para a ressocialização dos presos do sistema prisional. Nossa meta é envolver o maior número possível de internos nas atividades educacionais e garantir a profissionalização técnica deles. A parceria com o Senar é fundamental para alcançarmos nosso objetivo, e levar para estes internos a oportunidade de desenvolver capacidades de retornar ao mercado de trabalho, e com isso, de fato, conseguir a reintegração à sociedade”, afirmou o diretor de Reinserção Social da Susipe, Ivaldo Capeloni.

Por Walena Lopes | Foto: Akira Onuma (Ascom/ Susipe).